"Tirou a chave da mala. Um silêncio estranho pairava sobre o sítio. Assim que deu meia dúzia de passos percebeu que a porta da traseira estava semi-aberta. Aproximou-se mais e postou-se junto à entrada, prendendo a respiração. Pôs-se à escuta mas não ouviu nada. Apercebeu-se, porém, que a luz vinha da sala. Hesitou, o seu sexto sentido dizia-lhe que algo estava errado.
– A menina está aí?
Um silêncio absoluto pairava sobre a casa. Um silêncio sinistro. Joaquina sentiu que a pele se eriçava. Empurrou a porta com uma das mãos enquanto a outra segurava a chave e a mala, e voltou a perguntar:
– Dona Mónica?, a menina está aí?
Hesitou entre largar tudo e fugir ao deus-dará ou trancar-se no carro e telefonar à patroa. Sentia-se a tremer da cabeça aos pés. Puxou da mala que tinha a tiracolo mas por mais que procurasse não conseguia dar com o telemóvel. Quando finalmente o encontrou e se preparava para teclar o número de telefone da menina, ouviu uma voz rouca e medonha atrás de si dizer-lhe:
– Entre, não fique aí à porta!
Deu um salto para trás e clamou:
– Ai meu Deus!"